A Escolha É Sua

16º Episódio
Palavra do autor:

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, em se tratando de fenômenos paranormais: 
a presença de espíritos se manifesta de maneiras bastante claras, onde podemos diferenciar uns espíritos de outros. ex:
Existem espíritos inteligentes. Que são os espíritos de pessoas falecidas que tentam uma comunicação direta com os vivos
Existem os espíritos residuais: que são aqueles espíritos que não sabem que existem seres viventes no local onde estão, por esse motivo eles acabam interagindo apenas com o ambiente.
Existe também o caso dos espíritos residuais tomarem a forma de uma entidade maligna ou demoníaca, uma vez que jamais viveram na forma humana.
Existem os espíritos presos: Que são pessoas que faleceram deixando uma coisa que ela queria muito terminar e não conseguiu ou a alguém que ela ama muito e que sofre demais com sua morte impedindo sua partida.
Todos os espíritos deixam sinais claros de suas presenças no ambiente e podem se manifestar de diversas maneiras. Sejam eles Espíritos inteligentes: (de falecidos que tentam comunicar-se), Espíritos presos: (presos a pessoas ou tarefas inacabadas na Terra) ou Espíritos residuais: (coexistentes neste plano)
Que são: Ruídos, objetos fora do lugar, manifestação em aparelhos eletrônicos, animais incomodados, sensação de ser observado, sentir-se tocado, ouvir vozes chamando, Pontos frios no ambiente, odores inexplicáveis, alguns tipos de vulto, agressão física. (esse último é bastante raro, feito apenas pelos espíritos malignos) .


Capitulo I

Quando Mah se recuperou de ter sido habitada pela primeira vez por um espírito! Ela disse emocionada e com lágrimas nos olhos:

- Foi muito bom ter treinado meu espírito com as “Mães Ciganas”! Esse momento fez lembrar-me dum sonho que tive com meu irmão logo após um ano de falecido... Eu era bem jovem.

- Voce tinha irmão Mah? – Perguntou Magno

- Sim Magno! Meus pais não gostavam de falar no assunto e depois que minha mãezinha me deixou continuamos sem falar sobre. São poucas as pessoas que sabem. Enrico sabe não é querido?

- Sim Mah! Continue.

- Nesse sonho meu irmão estava num lugar alto e somente eu conseguia chegar perto dele.
Minha mãe não podia vê-lo somente eu. 
No sonho, não estávamos no acampamento, estávamos em uma casa tipo num sobrado com cortinas de voal branco, havia também umas pessoas estranhas. 
E onde ele estava tinha um cadeado por fora, mas ele chegava perto de mim!
Meu irmão estava sem camisa e eu perguntei onde estavam as tatuagens? O que tinha feito com elas? Porque o corpo dele não tinha nenhuma marca, estava limpinho! 
 Não lembro se ele me respondeu, mas foi um sonho muito incrível nunca vou esquecer... 
 Até me emocionei ao lembrar! Além de estar com a emoção a mil com o acontecido.
Mesmo antes que as “Mães Ciganas” Preparassem meu espirito eu já podia sentir quando algum estava perto de mim. Vou te contar uma coisa que não contei a elas:
Sempre que ia dormir aborrecida ou muito triste eu sentia no meio da noite um beijo gelado na minha face e logo meus pensamentos iam para meu irmãozinho que tanto amava! Meu querido irmão!

Depois que a ciganinha falou ficamos mais emocionados ainda e Magno que tinha o corpo trêmulo nos disse com a voz embargada de sentimentos;

- Hoje o dia foi muito bom para mim... Só preciso chegar ao Rio e saber que minha amiga Sigel tem salvação.

 Magno falou colocando a mão sobre a mão de Last que estava pousada em seu ombro enquanto “os amigos” estavam abraçados a ele.
Os ciganos ao vê-lo feliz dispersaram, eles sabiam que entre os elfos e o cigano Magno existia muita magia, então não ficaram fuxicando sobre ele estar falado com as plantas. 
Danilo um sinti do acampamento de Magno chamou-o para irem embora, pois já havia amanhecido, mas a Cigana Esmeralda com aquele seu jeitinho único, segurando a barra da saia e levando até a cintura disse:

- O que? Voces vão embora sem se alimentar? Eu fiz bolo de milho, ordenhei a mimosa, preparei a coalhada, sequei o queijo e fiz um maravilhoso café cigano enquanto voces estavam ali óh! Contando causos. E agora irão me fazer essa desavergonhada desfeita indo embora sem tomar o café conosco.

Magno abraçou-a e disse que não iriam sem provar das iguarias tão bem vindas naquela manhã perfeita.
A mesa estava posta no pátio, forrada com toalhas vermelhas, com flores frescas sobre elas e os alimentos arrumados com muito capricho!
Sentaram em volta da mesa para tomar seu desjejum com um sorriso nos lábios.
 Last pediu licença para se retirar porque o sol já lhe ardia a pele.

Mah e Enrico pertencem ao grupo “Manush” que tem o papel na família como crucial para o desenvolvimento do indivíduo. Para os “Manushs” a família é a pátria. A família é a responsável pela Educação, relações econômicas e defesa espiritual e física. O que se fundamenta que a identidade de cada um é afirmada e confirmada pela família e não apenas pelo grupo a que pertencem. É Justamente na família que os “Manush” constroem sua personalidade social. A Família é a rede social primária. Não a relação de parentesco que ocorre entre outros grupos étnicos de ciganos. O lema dos “Manushs” é o seguinte:

“ Minha persona e minha identidade são construídas em torno da indivisibilidade do ser”

Por isso os “Manushs” recebem três nomes quando nascem; Um de batismo, um para o povo cigano e um para os Gadges. (não ciganos)

Ruano pediu que Magno contasse mais sobre sua infância enquanto degustavam de tão gostoso café da manhã: Ele aceitou contar mais de suas histórias enquanto se alimentavam:

Narração do Magno:

- Hoje em dia eu sei que são os Bardos quem contam histórias, muitas vezes em versos e prosas sobre a vida dos Reis. Anões, Elfos, Vampiros etc. Eu gostava muito de “viajar” mentalmente ouvindo-os ao invés de brincar com outros meninos da minha idade. Eu lembro que ficava junto aos mais velhos que sentavam próximo as fogueiras no acampamento para ouvir esse homens contarem as suas incríveis histórias.
Eu os chamava de “andarilhos” porque eles vinham de longe e pediam pousada para se lavar, descansar e se alimentar. Mas um velho Cigano que não achava boa minha maneira de me referir aos “cantantes”, repreendeu-me dizendo:

- Não os chame assim Magno! Eles são Bardos ou Menestréis!

E o velho cigano me ensinou com toda paciência: Que os Bardos mereciam respeito! Porque eles viviam andando pelo mundo, se aventurando com suas belas estórias e só pediam pousada aos elfos ou a nós os ciganos, quando estavam muito cansados. Locais onde eles eram sempre bem vindos e como pagamento nos contavam suas estórias...
Estar aqui com voces faz com que eu me perca em pensamentos. Isso é um Dom de mim: eu me perco em pensamento muito fácil, até mesmo em situações complicadas… 
Lembro-me, que certo dia eu estava em um galho bem alto de uma árvore e me lembrando do passado, mesmo que não fosse tão distante. Quando alguns sons estranhos na mata de galhos sendo quebrados, tirou-me dos pensamentos. 
  Abaixo da árvore onde eu estava, havia pelo menos uns seis “necromancos”. 
Da árvore em que eu estava mesmo sendo bem alta, eu podia vê-los muito bem... Eles eram horríveis. Bestas criadas. Estavam ali, a poucos metros, mas não pareciam estar vivos de verdade. Eram as tais criaturas mencionadas por meu Mestre. Estavam ali diante de mim naquele momento.
Eu novamente me perdi em pensamento, imaginando durante o que eu estava vendo... Que um dia eu iria contar minhas próprias histórias junto às fogueiras de um acampamento a todos que quisesse ouvir. Esse pensamento me deixava contente, eu estava vivendo coisas incríveis, estava em uma grande aventura... Quando... Um som mais alto, e a principio, de desespero, me trouxe de volta aos acontecimentos abaixo de mim.
Os “necromancos” que antes estavam ao redor da árvore que eu estava, começaram a recuar. Eles pareciam assustados e sendo eles bestas não deveriam ter medo... 
   Um rosnar bestial seguido de outro de dor levou minha atenção a olhar para onde um dos "necromancos" havia corrido. Em segundos apareceu uma criatura horrível com um dos “necromancos” na boca... A criatura estava estraçalhando o "neco".

- Carniçais! …

Sussurrei... Mas mesmo assim tive a impressão que ele olhou na minha direção... Eu não iria esperar se eu estava certo ou não, me escondi por entre as folhas da alta árvore! 
Meu mestre sempre me alertou sobre os perigos que eu iria encontrar quanto mais longe eu fosse saindo dos arredores da propriedade dele e adentrando a floresta. Lembro-me do dia em que ele me advertiu sobre essas criaturas. Ele fez questão de frisar que eu não poderia com elas.
A besta carniçal parecia com um grande animal que andava de quatro patas, mas tinha aparência humana! Para mim parecia um humano que saiu do próprio inferno! Eram criaturas deformadas, sem pele que comia corpos de qualquer coisa morta e fediam, fediam como carne podre e eram igualmente perigosas. Eram criaturas que andavam em bando. Aquele que fosse o mais forte era considerado líder. Meu mestre dizia pra mim:

- Se voce encontrar uma fera carniçal saberá diferenciar o seu líder. Porque essa fera de que estou falando, não se alimenta apenas de um animal morto por causas naturais, acidentais ou por ação predatória de outros animais e, posteriormente, abandonado. Ela ataca! Principalmente o líder. Você saberá diferenciar o líder, por seu excesso de fúria. Quando um líder entra nesse estado de fúria: ele ejeta espinhos grandes, venenosos e mortais de suas costas. O mesmo nesse estado se regenera de qualquer ferimento e até mesmo, de morte eminente por fome ou qualquer tipo de doença, por isso cuidado, nunca tente enfrentar tais criaturas tão cedo.

Eu aprendi que o cheiro de qualquer coisa podre poderia atrair um carniçal. Eles não tinham um habitat natural, viviam em planícies ou em qualquer lugar que tivesse mortos em abundancia para comer. Caso não encontrassem mortos eles os providenciaria.
O mau cheiro que eles possuíam, era causado por animais podres que já estavam com a matéria orgânica em decomposição pelo metabolismo das bactérias e pelo apodrecimento da carne das quais se alimentavam as bestas carniçais.
Eu estava em um lugar bem alto e seguro… Não sentia medo, mas comecei a sentir falta do treinamento com Hector, sobre a supervisão do mestre Last.
Pelo menos com Hector eu não corria risco de morrer… Sorri levemente ao ter esse pensamento, aliás, dou risada com quase tudo e isso me fez lembrar que minha meta era pelo menos dar um golpe certeiro naquele “fela”.

 Capítulo II

Já havia passado alguns meses desde que estava treinando com meu Mestre.
Eu já estava mais esguio, com definições no corpo e mais forte. Mesmo assim, longe... Muito longe de chegar a tocar no Hector!
Eu estava seguindo uma série de exercícios todos os dias. Desde correr com pesos em volta da mansão que era de uma extensão absurda,  subir em árvores rapidamente chegando ao topo antes da contagem do Hector terminar,  cavar fossos e depois tapá-los novamente, fazer movimentos com as espadas...  Comecei com 500 movimentos em cada mão o que deixava meus braços inchados e sem conseguir movê-los, mas na manhã seguinte precisava fazer novamente... Então me acostumei!
Passei a aumentar os movimentos, tanto na distancia do corpo para os braços em que eu elevava as espadas quanto na quantidade de movimentos. Sem contar nos artifícios que eu usava para deixar as espadas mais pesadas. Assim, conforme o tempo, eu fui ficando mais rápido e com golpes mais fortes. Uma vez, cheguei a surpreender o Hector.
Deixei uma das espadas de madeira presa na cintura e fui na direção do mordomo segurando apenas uma e com as duas mãos. Isso me deu o dobro de agilidade e mais força.
(Acontece que terminantemente isso fugia do que eu queria, que era ser ambidestro. O que o espantou assim que colocou os olhos em mim...)
Meus movimentos estavam mais rápidos, mas mesmo assim estava longe de fazer o Hector sequer se mexer para se defender. Então resolvi não mirar mais no corpo dele, porque ele esperava por isso. Um dia; em um treinamento, depois de algumas tentativas em vão, mas com a ideia formada em minha mente e sem movimento prévio: eu ataquei o mordomo na mão que ele segurava a espada.
Fazendo um ataque direto de frente e a seguir com um ataque lateral o mais rápido possível.
Hector fez a defesa de costume e como sempre... Eu sabia que ele iria usar a brecha que eu deixei para me acertar de frente...
Lembro-me de que eu sonhava em fazer o mesmo movimento que o mestre Last fez contra o caçador de recompensas naquela primeira luta que eu assisti.

Meu plano era aproveitar o ataque direto e descuidado do mordomo e esquivar para esquerda enquanto sacava a espada que estava presa na cintura. Eu idealizei em minha mente: que eu faria um ataque direto estocando-o com a ponta da espada na barriga. Eu esperei o ataque e ele veio.
Não parecia mais um ataque tão rápido quanto eu achava que fosse.
Eu já seguia bem esse movimento! Fiz uma esquiva rápida para esquerda, um passo, ao mesmo tempo em que minha mão já pegava a outra espada e investi veloz. Mas... Hector num piscar de olhos... Arriou sua espada forçando a minha para baixo, tirando toda a força do meu ataque.

Eu já havia recuperado o controle da mão direita e fiz um ataque direto para acertar a mão dele... Novamente sem sucesso!
O cara parecia saber antecipado, exatamente os meus movimentos. O mordomo reagiu a cada um deles, sem nenhuma pressa e eu: mais uma vez “Touché”!

Hector não pegava leve! Ah não mesmo! E quando eu o resmunguei pelo meu plano ter dado errado ele me disse que era para eu ficar mais atento! Que eu precisava ser mais rápido… Depois completou com a linha dos lábios modificada que eu diria até, que foi quase um sorriso:

- Mesmo assim foi um bom plano! Gostei do seu empreendimento. Só precisa disciplinar mais.

Lembrar essas coisas me tirou a atenção do problema que eu estava, mas não me livrou dele. Havia ainda três carniçais. O que chegou trucidando um “necromanco” que com ele na boca, teve que disputar com os outros dois que chegaram abocanhando as partes que ficaram despendurada fora da boca e puxando com força ao ponto de arrancar pedaços. Degustaram sua presa numa velocidade incrível e assustadora... Em seguida começaram a farejar em volta se esgueirando nas moitas.
Eu havia adentrado à floresta na parte da tarde e já estava escurecendo.
Por segurança o galho que eu escolhi para espreitar o local era amplo. Peguei no alforje que o Mestre me deu; uma corda e recostei no tronco, amarrei em torno da cintura para não ter perigo de despencar da árvore na boca das bestas. Deixei o alforje a tiracolo para não correr o risco de cair das minhas mãos, apanhei meu cantil e um pedaço de pão, me alimentei, em seguida tomei um gole de água enquanto meus pensamentos fluíam a meu favor:

- “Não tenho pressa para voltar e essas bestas não parece que irão tão cedo embora. A melhor coisa a fazer é passar noite por aqui mesmo”.

Foi uma tarde quente seguida por uma noite iluminada. Havia belas estrelas no céu é uma lua majestosa. Levantei minha mão em direção a ela, um gesto de admiração. Como se quisesse toca-la… Fiquei assim por uns segundos, em silêncio.  Depois recostei novamente no tronco da árvore. Fechei meus olhos e logo adormeci...

Assim havia se seguido mais um dia na vida do pequeno cigano... Que queria ser um espadachim ambidestro. Sempre fui perseverante! Tenho natureza calma (enquanto não mechem comigo). Aprendi a duras penas que preciso antes de tudo. Usar a Razão e Coração antes de usar minhas espadas para causar a morte de alguém.
Eu sempre dou a chance do meu adversário mudar de ideia. Se não for o caso...
Como dizia meu amigo Hector. “Vous choisi !!” (Você escolheu).

 Magno se despediu com agradecimentos e o coração leve por ter visto Larissa! Ainda não acreditava, mas na Floresta de Uhat tudo era possível. Pediu a seus "amigos" que pousassem em sua tenda que tinha  bastante espaço. Como Elessar não está no palácio ele achou melhor que eles ficassem com ele. Assim que todos estavam acomodados Magno mutou para o elfo Lorian e correu o mais rápido que pode até a beira do Rio. Queria saber do seu amigo Elessar, se ele estava bem e se sua amiga elfa havia sobrevivido. Lorian ficou na beira do rio a tarde toda. Já estava escurecendo e nem sinal de Elessar.
Ele resolveu então ir para o acampamento e falar sobre o acontecido durante os dias em que ficaram na dimensão maldita. Lorian ia caminhando calmamente apreciando os últimos raios do sol que acabava de se por, logo daria lugar a lua cheia....

Lorian já estava bem distante do rio quando ouviu barulhos estranhos.  Ficou alerta olhou em todas as direções com sua visão elfica e não viu nada... Mas continuou atento com a mão nas espadas.

Capitulo III

Lorian que possui ouvidos atentos por ser um elfo... ouviu um som tumultuoso e abafado que se espalhava pelo ar como o som que ouvimos causado por nossa pressão sanguínea que retumba em nossa cabeça ao taparmos os ouvidos.
Estranhamente a umidade estava muito acentuada e tinha um odor fétido...
 A alguns metros a frente dele, surgiu uma névoa que parecia intransponível. 
Lorian que é ambidestro desembainhou as espadas ao mesmo tempo causando um som estridente das lâminas que se tocaram. Bem mais a frente ele viu uma luminosidade muito pequena. 
Como a chama de uma lamparina de óleo... Que estivesse quase se apagando. 
Mas oscilava com muita frequência. Lorian pensou:

- “Isso só pode ser uma armadilha! Mas de quem”?

Ele continuou avançando sem medo até que chegou a um local amplo onde haviam vários pontos vermelho imóveis. Essas luzes estavam por toda parte.
Naquele turbilhão de acontecimentos ele viu um mago que se ajoelhava perante a luz que parecia saída de uma lamparina... A criatura por trás da luz da lamparina lançou uma magia sobre o mago que se ajoelhava... Paralisando seus membros. 
O mago gritou de dor e caiu no chão onde teve seus membros estilhaçados por outra magia negra. Lorian chegou bem perto para tentar salvar o mago que estava sendo trucidado, quando viu o ser por trás da luz...
Era um estranho ser que o encarava o elfo enquanto ele também o encarava, estavam muito próximos um do outro, mas era impossível ver seu rosto. Lorian gostaria de olhar em seus olhos antes e saber porque ele fazia aquilo a alguém que já estava de joelhos. 
Mas uma estranha raiva tomou conta dele e Lorian atacou a criatura que veio pra cima dele com uma saraivada de espadadas... Lorian se esquivava e defendia com as suas espadas evitando que a criatura o acertasse nos ombros como fez com o mago que gritava com a dor lancinante. 
A criatura veio com tudo para acertar os ombros de Lorian. Ele esquivava levando a criatura para longe do mago. Alguma coisa nele o fazia pensar protege-lo do que se proteger. 
Ao perceber isso o oponente aproveitou para acertar o ombro direito de Lorian que mesmo com a dor daquele corte que parecia ter fogo ele suportou e girou indo para longe do oponente... Quando a criatura tentou acertá-lo novamente no ombro, Lorian se esquivou com a rapidez dos elfos e golpeou a criatura de cima para baixo com a espada direita, mesmo com o ombro ferido e em seguida de baixo para cima com a espada a da mão esquerda e com muito mais força. Cortando o oponente em sua lateral fazendo-o soltar a espada. ... Lorian girou o corpo em 180 graus e o atingiu nas costelas. 
Mas esse inimigo investia habilmente ataques contra Lorian com outra espada que fez surgir com um gesto de magia negra. 
O Elfo contorcia seus ossos de forma sobrenatural para evitar que fosse atingido. 
De repente a criatura mudou a estratégia e foi para junto do mago que rolava de dor com seus membros inferiores esmagados e os ombros feridos pela espada da criatura. 
Lorian não podia deixar isso acontecer. Girou o corpo em rodopios como um peão, para chegar perto dele com bastante força e ligeireza! A chegar perto usou a espada direita cortando na cintura da criatura com um golpe rápido e profundo. E com a espada da mão esquerda encravou entre o pescoço e o ombro... 
O corpo da criatura caiu no chão em espasmos... No mesmo tempo, Lorian sentiu sua cabeça rodar e uma intensa pressão no cérebro, ele olhou para a criatura no chão e na palma da mão do bruxo, surgiu uma chama vermelha que conforme ia crescendo as espadas de Lorian ficavam mais pesadas... 
A cabeça do elfo estava sendo pressionada a ponto de escorrer sangue pelas narinas, descendo pelo seu corpo... O elfo queria atacar. Mas não tinha forças para levantar a espada.
A criatura mesmo ferida daquela maneira com a espada enfincada no seu pescoço, espargiu labaredas na direção do elfo que saltou para o lado e rolou no chão, mas ainda assim, salpicaram algumas nele. 
A cabeça de Lorian doía tão desesperadamente como também o braço em bolhas... 
O mago que estava se esvaindo já havia recuperado um pouco de suas energias e Lorian pôde ouvi-lo conjurar algumas magias. Ele sabia que a qualquer momento o mago o ajudaria. Ele estava apenas se refazendo, porque para um mago conjurar ele precisa armazenar energias nos órgãos e nas glândulas espirituais de seus corpos.

Enquanto não chegava a ajuda Lorian se mostrou mais confiante do que estava realmente ao sentir-se totalmente sem forças. Precisava enganar a criatura para ganhar tempo, mas seu corpo estava esgotado... Lorian sabia que não conseguiria proteger o mago por mais tempo... 
Foi então que ele ouviu um sibilar por cima de sua cabeça... Era um raio de luz que veio do céu e atingiu o ponto onde estavam clareando o local. 
Depois um novo raio de uns dez metros vindo da mesma direção atingiu aquela criatura terrível retardando seus movimentos e dando a Lorian a chance de se libertar de sua magia e recuperar um pouco de fôlego. O Mago continuou sussurrando suas palavras... 
 Em seguida o elfo foi atingido em cheio por um desses raios de luz... Sentiu um calor súbito percorrer seu corpo. 

O que o encheu de força! De uma energia sem igual. Lorian aproveitou e correu em direção a criatura com certeza esse retardo não duraria muito tempo. Quando estava quase chegando o elfo foi golpeado na nuca o que o atrasou, mas ele já estava bem próximo a criatura e não parou... Estava espantado porque não havia inimigos na retaguarda dele. 
Em seguida foi golpeado nas costelas e a dor o fez envergar o corpo bem em cima do oponente ali no chão... A criatura esticou a mão para pegá-lo... As costelas do elfo estavam trincadas e a dor era insuportável... Lorian sentiu um calor passar ao lado dele e escutou um gemido, a Criatura estava de cara no chão, mas fazia todo estrago com a apenas às mãos... Então o elfo reuniu toda força que lhe restava para levantar sua espada que estava muito pesada além da dor nas costelas e cortou primeiro a mão esquerda da criatura: a que tinha a labareda. Em seguida cortou a outra... A criatura não emitiu nenhum grito de dor, nenhum som. Lorian o segurou pelos ombros e virou de barriga para cima. Ficou por cima dele deixando-o entre suas pernas e o sacudiu com ódio. 
A cabeça da criatura pendeu para trás deixando cair o capuz... Ele tinha os olhos vermelhos, os caninos enormes, e as barbas longas. Não era conhecido para o elfo.
A criatura abriu os olhos e com um sorriso disse:

- Olá Tigre!

Sem pensar mais,  Lorian cortou a cabeça da criatura separando-a do corpo.... A criatura começou a desaparecer virando cinzas. O mago que estava sem forças pelo esforço que fez, disse:

- Não deixa as cinzas da cabeça dele irem ao vento junto com as cinzas do corpo .

Lorian rodopiou como um grande peão novamente furando o solo onde estava a cabeça da criatura, fazendo-a cair em um fosso e depois cobriu com terra. A seguir foi até o mago ver o que podia fazer por ele, o mago estava jogado no chão todo ensanguentado por ter seus membros esmagados.
Lorian agradeceu a ajuda e perguntou:

- Muito obrigado senhor! Quem és?

- Sou alguém que conhece suas fraquezas. – disse ele.

- Minhas fraquezas? Apenas os magos me deixam fraco, porque eu não uso magia que não seja das que nascem com um elfo, que são magias doadas pela natureza senhor.

- Não! Voce não é um elfo! E sua fraqueza é o seu maldito pai!

- Está enganado! Eu descobri hoje pela manhã que meu pai sempre foi a minha força!

- Não se engane! Enquanto voce tiver esse tigre será caçado por todos. Precisa se livrar dele. Essa madrugada o portal dos arcanjos será aberto com maior energia, pois as constelações estão alinhadas perfeitamente e voce estará lá.

- Preciso leva-lo a algum lugar para se curar. – disse Lorian.

- Não! Deixe-me aqui! Meus dias terminaram!

- Como voce sabe? Não tem como determinar os dias por um ferimento.

- Eu sabia antes de ser ferido... Mas eu precisava vir porque também sabia que eu salvaria voce.

- Porque sou tão importante para voce senhor??

- Porque eu sou seu pai Magno! Eu vejo tudo antes que aconteça. Não! Não diga nada! Deixe-me terminar: Tudo que fiz foi errado! Mas te criei como fui criado. Não sabia fazer de outra forma...
E ainda tinha o fato de precisar proteger voce e Larissa. Eu comecei a morrer no dia em que ela morreu tentando me salvar. Vá meu filho. 
Ah! Voce vai me perguntar como me tornei um mago: 
Eu venho me aperfeiçoando desde que fui pego pelo “Mandíbula de aço". Aprendi a usar magia para destruí-lo e livrar voces, mas não fui tão rápido e quase te perdi tentando. Esse mago que voce destruiu me encontrou e me escravizou também. Se eu sobrevivesse, isso sempre aconteceria até que eu deixasse de existir completamente ou até que o ódio me tornasse um bruxo sem escrúpulos. Então para evitar esses acontecimentos, preparei uma poção para tirar minha vida. Sei que serei condenado a vagar para sempre por ter atentado contra minha própria vida, mas eu não aguentava mais ser escravizado. Eu não consigo usar magia negra como eles querem... Então eles usam meu ponto fraco, Minha família. Seria voce, mais tarde seus descendentes, sua mulher até que eu me tornasse tão perverso quanto todos esses magos negros que existem nesse nosso universo.. Está chegando a minha hora.... De ir...  Adeus meu filho... Eu amo v.... aaaaaaaannnnnn ...
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Comentários

  1. que surpresaaaaaaaaaaaaaa o pai de magno caracas muito lindo... Sigel você é d++++++++++++++++++++++++

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    1. Muito obrigada minha linda! Voce não se aborreceu por eu ter usado seu texto não é?

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Já estamos na terceira Temporada das Aventuras de Sigel. Graças a voces meus leitores. Continuem comigo por favor.

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