Perdas

14º Episódio

Palavra do Autor


Ficar de luto é o mesmo que se mudar para uma cela blindada, da qual saímos somente para intermináveis e dolorosos banhos de sol. Uma solitária que quando saímos por um instante queremos voltar logo! É um lugar triste e sombrio! Porém é o lugar onde nos sentimos menos desconfortáveis. Nos esconder em nós mesmo é a única maneira de não sentir tanta dor ao ver as pessoas sorrindo, quando dentro de nós não existe luz. Se a cada dia a morte se repete muitas vezes. Ao acordar, está lá a morte de novo. A cada lembrança, outra morte... Acordar. Respirar. Pensar. Existir é insuportável.
Dormir ainda nos dá alívio, porque a dor adormece. Mas também é o momento em que o medo desperta: porque será preciso enfrentar o dia seguinte. Quando perdemos quem amamos morremos um pouco... Mesmo que o coração insista em bater.
A morte é uma verdade disfarçada de absurdo. Não se arrepende, não volta atrás, é desfecho.
A morte é o verdadeiro “para sempre”
É silêncio que ensurdece, pesadelo que não acaba, falta que jamais deixará de ser.
Qualquer lugar é ruim. Queremos fugir de nós mesmos, emprestar outra vida, perder a memória, trocar de papel... Qualquer coisa que nos tire a essa dor com a mão...
Qualquer coisa que não nos deixe sentir que alguém foi amputado de nós. 
Mas... Não há alívio imediato.


Capitulo I

Depois de todo acontecido entre Elfos Deuses e Magos...
Após terem feito a cerimônia de cremação pela passagem da Amazona Arayana. 
Todos foram descansar. Precisavam começar com “alma nova” 
Ninguém sabia onde estava Magno, se havia sobrevivido. Onde estava Last que saiu do campo de batalha carregando-me, não sabiam o que o Vampiro fez com o corpo de Elessar ou se teve tempo de fazer algo... Nem quem era ou de onde havia saído o encapuzado que nos ajudou. 
Pelo menos era um mago bom... E se ele estivesse fingindo e acabado com os amigos?  
Last e o Nefilin haviam arriscado tudo em confiar naquele encapuzado tão poderoso.
Ele poderia muito bem ter enganado o vampiro e ter ajudado a Circin e ao mago negro.
 Bem, pensando melhor, isso não aconteceria, porque o vampiro Last não é enganado tão facilmente.
Eram tantos pensamentos a fervilhar as mentes dos que sobraram... Uma espera sem certeza...
 Sitaara, Dseyvar e Emre estavam muito esgotados de suas energias pela batalha... Sem contar o emocional de todos. 
Foi tanto sofrimento que a Cigana ainda não havia dado o ar de sua graça para alegrá-los, ela sabia que todos precisavam de paz. Mesmo assim ficaram atentos. Como diria Mah. (Dormiam com um olho fechado e o outro aberto). Estavam todos sonolentos quando se ouviu um barulho, alguém tinha derrubado algo... Todos se armaram e Dseyvar estava saindo para investigar quando um grande tigre branco invadiu o local...  O tigre tinha um ar assustador!
Mesmo assim, ninguém o atacou, não sabiam se era o Cigano Magno e poderiam feri-lo, apenas continuaram de arma em punho e rodeando o tigre que farejava o ar como se procurasse alguém. Ele chegou perto de Emre e roncou forte mostrando as presas, passou direto por Dseyvar e ao chegar perto de Sitaara roçou nela e ronronou...
Os outros se olharam, mas não se moveram da posição de ataque. Dseyvar falou sussurrando:

- Só pode ser o Magno! Os únicos animais que vimos por aqui são cavalos, morcegos e uns modificados por mágica que ninguém consegue identificar, sem contar as gárgulas que são invocações.

Emre apenas suspendeu uma sobrancelha como indecisão de pensamentos.
Foi quando.... Sem que ninguém esperasse... 
Num rompante o tigre pegou Sitaara pelas vestes e com um giro da cabeça jogou-a no dorso e saiu desembestado carregando-a.
Emre e Dseyvar foram atrás, mas o tigre tinha muita vantagem... Eles o perderam.
Continuaram correndo e procurando-o por entre as ruínas da cidade sem sucesso.
O tigre ludibriou-os e levou Sitaara até a pequena fonte onde Magno foi lavado por mim quando foi queimado com ácido.
Chegando lá entregou-a a dois encapuzados que estavam abaixados com um corpo embrulhado em uns farrapos molhados.
Sitaara que estava desarmada preparou-se para buscar seu trovão...
 Mas ouviu a voz quente e rouca lhe dizer:

- Acalme-se Elfa! Precisamos de voce bem!

- Vampiro é voce? Que susto! Pensei que começaria tudo novamente. De quem é esse corpo embrulhado ai? Do elfo Elessar?

- Não!

Disse Last desembrulhando o corpo!

- Oh não!! Sigel! Ela está morta??

Ela perguntou isso porque eu estava completamente sem sangue e naquele mundo era difícil fazer algo por mim. Eu precisava da natureza. E ali junto a fonte era o único lugar que tinha o que se aproximava da mesma. Tinha a água e as raízes que teimavam em viver nesse lugar ermo onde na maioria do tempo era noite. Quando se fazia dia claro era como o finalzinho da tarde em nosso mundo e duravam só algumas horas. Last respondeu:

- Ainda não! Mas irá morrer se não ajudarmos. Estamos tentando o que podemos com o que temos, mas precisamos de uma transfusão e não podemos doar nosso sangue para ela.

- Pode tirar o que precisar de mim. Quem é esse ai?

- Um amigo! Ele está ajudando. E não posso retirar o que precisar. Quero que voce fique bem no caso de precisarmos de voce novamente.

- Um amigo nesse lugar?

O Encapuzado de cabeça baixa parecia nem ouvi-la enquanto tentava me curar. Last respondeu:

- Elfa respeite-o! Ele está ajudando com tudo que pode.

- Está bom! Como farão a transfusão? Porque não a levam par o nosso esconderijo?

- Ela precisa estar próximo a natureza Elfa.

Last pediu que Sitaara se deitasse ao meu lado e a fez adormecer. Um elfo pode doar um litro de seu sangue sem nenhuma perda, mas... Eu havia perdido 40% do volume do meu sangue total e precisaria ser reposto dividido em porções o que seria um processo doloroso. Precisavam repor da seguinte maneira para ter certeza de que daria certo... Do contrário só teriam que esperar que eu morresse.

* A unidade Concentrado de Hemácias deveria ser de 500 ml. Precisamente... Obtido a partir da “centrifugação” do sangue total.
As outras partes que extrairiam do sangue de Sitaara deveriam ser divididos em

* Uma unidade de Concentrado de Plaquetas.

* Uma unidade de Plasma.

* E por fim uma unidade precipitada. Que é anti-hemofílica.
Para que possam entender como seria doloroso: essa parte final seria extraída por centrifugação...

Somente depois de transfundir todos os componentes poderiam transfundir as hemácias.
Usaram as raízes em seus comprimentos criando cabos condutores do sangue.
Com as raízes também fizeram pequenos canos bem fininhos com as pontas afiadas para perfurar a nossa pele; Esses canos foram introduzidos na veia de Sitaara e na minha e o condutor ligado neles. O Encapuzado era um mago que entendia de cura e controlava a temperatura do sangue de Sitaara de maneira que extraia cada componente separadamente...
 Se ela estivesse acordada sentiria dores insuportáveis! 
O que faria subir sua pressão arterial dificultando o trabalho.
 Quando terminaram a transfusão, após uma hora. Deixaram Sitaara dormindo para se refazer de toda agonia sofrida em seu metabolismo. 

     Enquanto isso o mago me costurou usando os fios das vestes e a ponta de uma faca. 
Poderiam ter usado as pontas de suas garras que seria um furo mais perfeito... Para passar os fios...
Mas eram um Vampiro e uma criatura... Eles poderiam me contaminar. 
O Encapuzado costurou da maneira que conseguiu. 
Mesmo ele usando muito esmero não ficou perfeito, porque a aparelhagem cirúrgica era precária.
 Após mais ou menos umas três horas me costurando e cauterizando... 
O encapuzado levou Sitaara ainda adormecida até onde estavam Dseyvar e Emre procurando-a e colocou bem perto para que eles a encontrassem, fez um barulho chamando a atenção deles e se escondeu. Quando a encontraram o mago encapuzado voltou para onde estava Last e eu. 
Era ele quem cuidava de mim com a ajuda do vampiro.

Quando Sitaara despertou, não sabia o que havia acontecido. 
Disse que não lembrava aonde o tigre a soltou nem porque estava desacordada. 
Ficaram espantados com o curativo nos braços dela feitos por pedaços de tecido...
Retiraram as bandagens para investigar e viram o furo causado pelos condutores improvisados. Ficaram alerta caso voltassem para pegar mais algum deles ou ela mesmo novamente.
 Naquele dia passaram acordados esperando acontecimentos...

Esperavam a volta de Last de Magno e eu...
Somente o vampiro sabia onde estava o cigano, pois ele habitava Lorian quando  carregou o corpo de Elessar para sepultar. E também saiu do campo de batalha me carregando... Não sabiam de viva ou morta...

Capitulo II 

Quando anoiteceu!
 Last apareceu com Magno causando grande alegria nos amigos que os abraçaram.
Magno estava um pouco difuso... Abundante em palavras... 
Como diria Mah: (falando pelos cotovelos.)
Estava desesperado com a notícia que os dois iriam dar para seus amigos e sem saber como começar..
Last ficou olhando para ele que falava muito, mas não dizia coisa com coisas; Então o vampiro falou:

- Acalme-se Cigano! Deixa que eu explico!

Magno saiu, sentou no canto com a cabeça entre as mãos.
Sitaara foi até ele buscou-o com ternura para que ouvissem juntos o que o vampiro tinha para comunicar e que parecia ser desesperador:

- O que está acontecendo é o seguinte: Sigel vai morrer!

O QUE????
Todos perguntaram juntos.

- Sim! Fizemos todo possível para salvá-la! Sigel é um Elfo e não está se curando neste inferno! Mandei buscar a irmã dela para fazermos uma transfusão, parecia que estava dando certo, mas a pressão arterial dela caiu a dois por cento e o coração já parou de bater duas vezes... 
Meu amigo fez a respiração de resgate... Mas na próxima parada ela não resistirá.

Quem? O Magno? - Perguntou Dseyvar.

Não Elfo! Aquele mago que nos ajudou  no campo de batalha.

- Onde ela está??

Perguntou Dseyvar desesperado!

- Está na nossa fonte Elfo – respondeu Last.

- Last ela precisa querer viver! Precisamos fazer alguma coisa! 
Sigel não está lutando porque perdeu Elessar. Vamos dizer que ele está vivo para ela reagir.

- Ela não ouve Elfo. Está em coma.

- Mesmo assim Last! O Espírito de um Elfo sai do corpo quando o mesmo está morrendo e fica olhando de fora. Se tiver chance para a matéria o espírito volta... 
Caso contrário ficará vagando até encontrar outro corpo com as mesmas características.
Não desiste dela. Por favor, Last!

Enquanto Last e Magno se olhavam decidindo Dseyvar teve uma tontura incrível quase caindo. Sitaara o amparou, mas ele a empurrou dizendo que estava bem e falou:

- Tinha que ser uma cambada de macho para não pensar nisso antes.
Querem desistir de Sigel porque não têm esperanças de voltarmos  para casa. 
É mesmo uma cambada de lerdos!.

- MAH!!! Falaram todos juntos outra vez!
- Voce estava tão quieta.

Claro! Estava desolada... Pensei ter perdido Elessar, Magno, Arayana e Sigel o que voces queriam que eu estivesse fazendo. Batendo papinho?
Vão todos pegar suas coisas e vamos para tal fonte AGORA!!!

Mesmo sem saber o que Mah queria aprontar, pegaram o que restava de nossas coisas em silêncio e acompanharam Last até a fonte.
Chegando lá Mah foi até Sigel e disse a ela:

- Olha aqui Elfa se voce morrer não poderemos quebrar a maldição do tigre! 
Então trate de despertar que vamos para casa.

- Boa maneira de fazê-la despertar Mah - Falou o cigano.

Que maneira o quê!! Nós vamos agora para casa e lá poderemos salvar minha amiga.
Pegue ela nos braços Magno... Não peraí! Primeiro! Vampirão desenterre Elessar ele terá de ir conosco. Ele irá até os Arcanjos mesmo estando morto. Depois lhes daremos a paz que ele merece. Como Dseyvar disse: o espírito de um Elfo vaga quando a matéria morre! Eu tenho certeza que o espirito dele irá conosco com prazer.

- Mah! Acalme-se querida. O ”Sodômo” “comeu” o espirito dele. Voces nos disseram isso em prantos! Não existe o espirito de Elessar para nos ouvir. Disse Sitaara.

- Esperem ai! Desde o momento que Sigel matou o “Sodômo” os espíritos foram libertados! 
A Cigana pode ter razão. 
Mas será que um corpo morto entra no portão dos arcanjos?? Falou Emre.

- Calem-se todos. – Pediu Last E continuou:
- Cigana qual a sua certeza de que podemos voltar?
O “obelisco” se quebrou. Eu posso voltar, mas não irei sem voces.

- Pegue o corpo do meu amigo Elessar que eu lhes mostro. Eu não vou deixa-lo aqui.

Mah falou convicta, mas Last precisava ter certeza pelo que faria a seguir.

- Cigana! Se não me der certeza absoluta não vou retirá-lo do seu descanso.


- Vampirão eu até que gosto de voce, mas voce sabe ser chato!

Falou Mah enfiando a mão na túnica de Dseyvar e retirando seu bastão que foi presente da Harpia! E disse.

- Aqui está a prova Vampirão chato! Agora vai buscar o corpo bem rápido precisamos salvar Sigel.

- Mah! Porque não disse antes? Tem três dias que Sigel está se esvaindo em sangue. Perguntou Magno.

 - Porque voces não foram me dizer isso antes? 
Eu estava mal com a morte de voces. Queria os corpos para levar todos. 
Ou acham mesmo que eu iria deixando quem quer que fosse nesse mundo infernal??
 Por falar Nisso onde está a caixa com a Amazona ela precisa estar nas mãos de alguém.

Perguntou a apressada ciganinha.

Emre disse que levaria Arayana... Que ela era responsabilidade dele. Estava indo busca-la quando Last disse ao Encapuzado;

- Vem cá amigo! Preciso que faça isso por mim... Ela só nos levará se levarmos o corpo de Elessar.

O encapuzado chegou perto deles... Sitaara disse:

- Eu te ajudo em nome de Sigel.

O Encapuzado disse que não carecia ajuda de ninguém... Em seguida...
Retirou o capuz!!!


ELESSAR!!!! COMO???

Comentários

  1. Harhahaha... Eu desconfiei do encapuzado. Harhahaha

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    1. Porque voce é esperta! Ele não deixou pistas. Boa noite bonita.

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    2. Ops.... BONITO BigDad

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  2. O Encapuzado disse que não carecia ajuda de ninguém... Em seguida...
    Retirou o capuz!!! Sempre invocadinho kkkk gosto disso

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    1. Marca registrada de Um Rei né? boa noite minha linda.

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Já estamos na terceira Temporada das Aventuras de Sigel. Graças a voces meus leitores. Continuem comigo por favor.

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