O Elfo de Olhos Azuis

Palavra do Autor:

Não tenha vergonha, chore!

Quando perdemos alguém a tristeza nos invade e temos dificuldade de superá-la.
  Devemos chorar e nos entristecer sim. Porque nenhum de nós fica alegre quando perde alguém. Chore! Se sentir vontade de chorar, chore. Não se importe com o que as pessoas dizem.
Todo ser humano nasce sabendo que um dia vai deixar essa terra. A partir do momento em que nascemos, já estamos caminhando para a morte. Todos sabemos que o destino do ser humano é a morte, mas ninguém, absolutamente ninguém quer morrer e tampouco aceita a morte de quem se ama. Por que será que as pessoas não aceitam a morte? 
A resposta é bastante simples: porque Deus não nos fez para morrer. 
A desobediência trouxe-nos o pecado. E por conseguinte o pecado trouxe dor, a morte e a angustia ao mundo.

Capítulo I

Lorian deixou que a personalidade do cigano Magno viesse abraçar seu pai pela última vez.
Um abraço que eles nunca trocaram... Seu pai que ele tanto queria junto dele agora estava ali...
Mas... Inerte como as pedras ao lado...
Na mente do Cigano sua vida desenrolava como um pergaminho sem fim...
Enquanto segurava a mão ainda quente de seu pai... Ele pensava nesse reino que ele residia: 
Um reino guardado por lendários Elfos que se reúnem todos os anos para rezar pela terra... 
Elfos senhores de um destino imprevisível que surgia diante do Cigano trazendo o fim de uma procura e o início de um novo capítulo na vida dele e com diferentes protagonistas, com diferentes destinos. Magno queria que pudesse voltar no tempo e ainda ser aquele singular garoto de pele bronzeada que trocou a vida natural de uma criança em uma companhia cigana milenar que o adorava por ser um Príncipe Cigano. 
O menino Magno desejoso em ser um grande espadachim ambidestro. Abdicou da família e não se preocupou em viver com um Vampiro para realizar seu sonho.
Afinal, viver com um vampiro não poderia ser tão difícil, certo? - era o pensamento dele.

Um Vampiro que ensinou a ele que o mundo era uma prisão onde a morte tinha pernas. O que não evitou que sua vida se quebrasse quando saiu de junto de seu mestre já rapaz feito e voltou para casa e viu logo a seguir sua mãe o deixar.
   Magno tornou-se um jovem belo ladino e forte. Teve como consorte uma bela princesa cigana e mantinha uma vida pacata, obsessivamente metódica, mantendo tudo em perfeita rotina. Sem que nada saísse do seu controle, nem mesmo questionava seu casamento arrumado por seus parentes.
Mas precisou partir com seus “amigos” em uma espetacular aventura em outra dimensão... 
Depois de voltarem à seu mundo... Tudo parecia ter voltado ao normal. Desde as vidas calmas das pessoas, como a fama que possuía ao contar suas aventuras com seu Mestre. A única coisa que mudou no Cigano, foram os seus sentimento!
Magno nunca sequer imaginou que seus “amigos” poderiam ensinar e mostrar para ele, tantos sentimentos e sensações nunca experimentados antes, o que trouxe novas relações e ligações, se elas serão positivas ou negativas? Ele não sabe dizer. Sobre seu casamento? Será que Magno conseguirá descobrir a tempo o que realmente sente pela Princesinha Mah antes que ela desista dele para sempre? Ele também não sabe dizer.
O que ele sabe é que o pai que ele tanto procurou, por quem mudou sua vida em prol dessa procura: agora está com ele. Mas está morto! De que adiantou tudo que ele fez? Os dias duros de treinamento, as feridas que deixaram cicatrizes?

O Cigano estava perdido nesses pensamentos enquanto segurava a mão de seu pai, quando sentiu ao seu lado uma presença. Ele olhou para trás e nada viu, olhou para os lados e nada viu... Mas a presença era forte. Então ele se levantou com as mãos cruzadas atrás da cabeça (é um tique nervoso dele) e deu um giro de trezentos e sessenta graus e nada viu. Magno cruzou os braços e disse:

- Pela minha experiência com os elfos eu posso sentir voce ao meu lado. Agora eu gostaria que ao invés de ficar me rondando voce aparecesse para mim, por favor! Estou mal com a morte do meu pai, mas posso ouvi-lo se voce precisar de mim. O que deseja?

... Nesse momento materializou-se bem lentamente ao lado dele um Elfo! 
Ele não era tão alto como todos os elfos que Magno conhecia. Possuía uma áurea brilhante que clareava uma boa parte do local onde o Cigano estava. O Elfo tinha a expressão muito tranquila e belos olhos azuis transparentes que pareciam o céu. Estava com vestes brancas e leves, suas lãs não eram muito longas, a voz era calma, doce, quando disse:

- Eu estava em minhas buscas por uma nova matéria quando o vi sofrer! Eu pude sentir seu sofrimento humano. Gostaria de lhe dar um presente se voce realmente o quiser.

- Me dar um presente por estar sofrendo? Nunca ouvi falar tal coisa e esse presente seria um pouco pesado não acha? De onde voce é? Não é um elfo de Uhat nem Da “Floresta negra”.

- Posso não ser mais! Porém eu fui um elfo de Uhat!


- Foi? O que quer dizer? Foi expulso ou abandonou sua pátria?

- Nem uma coisa nem a outra! Fui um soldado que guardava os portões de Uhat no exército da Rainha Ireth. Fui morto em batalha;

Quando ele disse morto... Magno chegou cambalear, mas em seguida recuperou-se e disse que não seria uma brincadeira boba como aquela que iria alegra-lo. O Elfo continuou o que estava dizendo concluindo que não estava brincando e que precisariam ser breves, porque o tempo de coagulação dos humanos era muito mais rápido do que os dos elfos. Magno perguntou:

- Coagulação de quem? O que voce quer me propor?

- Que voce me permita ressuscitar seu progenitor.


- O QUÊ??? VOCE ESTÁ MESMO DE BRINCADEIRA!

- Engano seu! Estou sendo o mais verdadeiro possível. E é um presente do meu coração:

- Um elfo não pode ressuscitar um humano! Nem mesmo outro elfo. Ninguém pode!

- Humano! Se um espírito suscitou um dia ele pode ressuscitar.


- Com que magia voce faria isso.

- Sendo o espírito que ressuscitará  a matéria do seu progenitor enquanto ele ainda possui as suas lembranças, mas voce precisa ser rápido.

- Voce vai... Entrar no corpo dele... E depois disso vai ser o quê? O elfo ou meu pai?

- Seremos os dois! Como ele ainda possui as suas lembranças seremos o seu pai.

- Ah para com isso! Não creio que um espirito possa levantar um corpo morto e machucado como o dele. Mesmo que tenha sido um elfo um dia.

- Sobre os machucados precisaremos de tempo para nos recuperar com Gaia.
E sobre os espíritos. Nós somos apenas uma substância não corpórea em contraste com o corpo material. A palavra espírito é muitas vezes usada metafisicamente para se referir à consciência ou personalidade. As noções de espírito e alma de uma pessoa muitas vezes também se sobrepõem; Se juntar o contraste com o corpo ambos se entenderão e com isso pode-se sobreviver à morte do corpo. Temos apenas cinco minutos o que voce diz? Se não aceitar irei seguir meu caminho.


Magno ficou em um grande dilema. E se seu pai não gostasse do que ele fizesse? E se não desse certo e eles se tornassem um monstro! Ele seria obrigado a matar o seu pai. O desespero tomou conta do cigano. Ele buscou a inteligência do elfo Lorian, mas não conseguiu manifestá-lo, porque essa seria uma decisão apenas dele. Magno sentia vertigem...
Ele tinha uma chance de trazer seu pai de volta, mas a que preço? Talvez seu pai o odiasse para sempre... E ele perderia por uma decisão errada o amor que ele tanto buscou.
Onde estavam seus “amigos” nesse momento? Ele precisava tanto deles. Magno sentiu o toque forte em seu ombro... Olhou para trás... Era Last que falou com ele.

- Cigano! Voce nem deveria estar pensando tanto! Com seu pai vivo voce tem a chance de conquista-lo. Mesmo que ele te odeie. Ele estará vivo! E foi isso que voce lutou toda sua vida. SALVAR SEU PAI! Chegou a hora de voce tomar a maior decisão da sua vida. “Garoto” !

Ao ouviu Last o chamar de “Garoto” o Cigano se levantou firme! Porque o que o “Garoto”  nunca foi em sua vida, um covarde! e disse ao espirito:

- Como era seu nome?

- Meu nome era Neele Aankhen (olhos azuis).
- Então Nele Aankhen eu permito!

- Está bem; Eu irei ocupa-lo! Em seguida voce deverá enrolar o corpo em folhas longas e macias e enterrá-lo bem profundo em terra úmida! E voce deverá deixar-nos enterrados por aproximadamente sete dias que será; de uma lua a outra e depois nos desenterrará, não deverá ser antes nem depois. Faça assim que a lua surgir depois do tempo estipulado
.


Magno aceitou! O Elfo pediu que ele despisse seu pai e o arrumasse sobre as folhas.
.Last providenciou rapidamente folhas de taiobas. Eram as mais macias e as maiores que ele conhecia chagando a medir um metro de comprimento. Colocaram o corpo sobre as folhas e o espirito deitou sobre ele e foi sumindo gradativamente até que o corpo estremeceu. Em seguida enrolaram com cuidado como o elfo pediu. O coração de Magno ainda estava incrédulo. Ele viu o elfo sumir no corpo do seu pai morto, mas fazê-lo reviver depois de se envenenar era outra coisa. 
Last percebendo isso. Falou para ele.

- Cigano! Pensa assim: Voce iria enterrá-lo de qualquer modo! Faça de contas que esse é o enterro dele então! E o deixamos ai. Se voce não crer ele ficará enterrado para sempre. Agora se voce acreditar e o quiser de volta viremos aqui em sete dias e o desenterramos.

Magno olhou nos olhos indecifráveis de seu amigo Vampiro por um longo tempo nisso a lua surgiu! Era uma tímida lua crescente que fez os olhos do vampiro brilhar.
Magno decidiu então enterrar o corpo. Levaram para junto do rio onde a terra era úmida e Magno fez questão de cavar sozinho.
Quando o Cigano o pegou para colocar na cova, percebeu que o corpo não possuía “Rigor Mortis” (que é a rigidez da morte que começa a ocorrer depois de uma hora e meia a duas horas depois da morte). Era mais ou menos o tempo passado da morte do seu pai e ele continuava flácido e morno. Isso fez que nascesse uma sombra de esperança no coração do cigano. Last colocou uma corda feita de cipós dentro da cova na parte superior junto ao tórax e outra na parte inferior junto aos joelhos, com as pontas para fora. Depois colocaram o corpo no fundo da cova de mais ou menos cinquenta centímetros de fundura e com a largura do corpo para que ficasse bem justo na terra em todos os lados. Magno colocou mais folhas e o cobriu de terra com o coração batendo forte. 
Ao terminar fez uma oração.
Quando terminou de orar  ele disse a Last que ficaria ali para proteger o corpo dos Carniçais.
Em vão o Vampiro tentou leva-lo para casa. 

Last conhecia o Cigano e a sua mania de proteção exagerada. Por várias vezes ele achou ruim com seu mestre por se arriscar tanto com os caçadores de recompensa. Embora a criação do Cigano tenha sido algo um tanto complicado comparado a outras famílias ciganas, Magno sempre foi um bom menino e seu Mestre sabe disso e o compreende. Principalmente porque ele não teve seu pai ao lado. E Magno por sua vez não tem o que reclamar do seu Mestre. Ele foi um tutor decente e presente, um tanto excêntrico e arrogante às vezes, mas alimentou e treinou o Cigano para ser um bom Humano...
Conforme o Cigano crescia e estudava a arte da Espada, ele foi se transformando sem perceber em uma miniatura de seu tutor, se espelhando no vampiro que era a única figura que ele poderia se inspirar.

E assim foi! O Cigano permaneceu ao lado da cova de seu pai durante todo o tempo: Ele banhava-se no Rio, dormia ao relento e todos os dias rezava para que tudo não fosse apenas uma vã esperança. Magno sonhava com o dia que desenterraria o corpo e uma sensação estranha percorria suas artérias... Last levava até ele; alimento e roupas limpas todos as noites.
Magno era corajoso, experiente e exímio sobrevivente em ambientes hostis, o Cigano sobreviveu várias situações junto de Last e Hector e na maioria dos casos, tendo que salvar ambos de caçadores de cabeça. Com isso Magno acabou por criar uma espécie de paranoia ficando sempre atento em locais que considerava hostil. O Cigano possuia olhos de Predador: Pelo vasto conhecimento em Extermínio de mercenários que tentavam capturar o Vampiro para leva-lo a seu Clã para ser julgado!
Com isso o cigano elfo acabou virando “o Predador de Predadores”. Além de conhecer quase todas as feras e criaturas pessoalmente. Magno conhecia as características e pontos fracos das mesmas. Com o treinamento severo que teve Magno tornou-se um experiente Escaramuçador! Ele sabia como montar emboscadas certas para capturá-las, tanto de forma individual quanto com mais pessoas. Toda emboscada feita por ele tinha o dobro de chances de dar certo e o triplo de chances de não serem descobertas.

Capitulo II

. Enfim chegou ao sétimo dia!

A lua deveria estar alta no céu, pois era noite de Lua cheia.
Mas tudo que o Cigano presenciava era uma noite fria, escura e a única coisa que ele ouvia era o som do vento batendo nas folhas.
Ele pegou o cobertor que Last havia levado assim que ele “acampou” na beira do rio e colocou sobre os ombros para ficar um pouco aquecido.  Seus olhos vasculhavam o céu noturno desejando que a qualquer momento a lua surgisse. Mas estava ficando cada vez mais tarde e a lua nada de aparecer! 
O vampiro também não estava ao seu lado para quando... E se... A lua surgisse... 
De repente ele ouviu galhos se quebrando e disse a ele mesmo:

- Só me faltava aparecer mais um oponente nesse momento crucial. Eu o mataria num piscar de olhos. Nada pode estragar essa cerimônia!

Em seguida se levantou, deixou cair o cobertor e desembainhou suas espadas esperando quem quer que fosse decidido a acabar com ele. Uma figura de manto e capuz se aproximou trazendo algo nas mãos. Magno pulou na frente dele e colou a espada direita em seu abdômen.

- O que é isso Magno! Eu me aproximava pensando: o que voce estaria fazendo aqui na beira do rio; Veio esperar por eles.

- Dseyvar! O que faz aqui? Eu poderia ter matado voce.

- Eu? Vim trazer alimentos para Elessar e Sigel! Faz sete dias que eles estão no abissal com certeza siarão hoje e eu quero que eles tenham um banquete.

- Hoje? Ele sairá hoje? Por Kali!

- O que foi Magno? Voce deveria estar feliz.

- Eu estou Elfo! Eu estou.

Falou Magno olhando para os lados. Dseyvar ficou encafifado com a manifestação nervosa do cigano e disse:

- Vamos até lá Magno!

- Não! Pode ir Dseyvar!

Disse Magno visivelmente nervoso tentando sorrir. Dseyvar olhou-o por um momento tentando entender a atitude do seu amigo que estava desaparecido todo esse tempo. Não resistindo ele perguntou enquanto se encaminhava para o rio:

- Onde voce esteve todo esse tempo Cigano?

- Ocupado!

Respondeu Magno olhando em volta. Dseyvar deu de ombros e seguiu seu destino até o outro lado da margem onde tem uma grande pedra. Lá ele forrou uma toalha e arrumou com capricho o alimento para seus amigos elfos e sentou para esperar. Ele levou um cozido feito com um tipo fino de pão que Dseyvar assou em folhas de bronze sobre a fogueira, e para sobremesa morangos com mel das montanhas. E olhando para as águas tremulantes ele esperava.

   Enquanto a esperança e o desespero lutavam dentro do Cigano...
Last enfim apareceu trazendo um terno e um par de sapatos. E perguntou:

- Está pronto Magno?

- Pronto e ansioso eu estou! Mas a lua não surgiu!

- O que é isso Cigano! Ela não surgiu, mas está lá no lugar dela. Voce não vai desenterrar um Lycan! A lua não precisa estar presente para sabermos que é lua cheia. Tem que ser! Porque há sete dias era lua crescente.

Magno teve um alívio tão grande que sentiu um vazio por dentro como se o corpo dele tivesse sido atravessado por uma tempestade.
Os dois se preparavam para começarem a desenterrar o corpo quando eles viram surgir das águas do rio uma luz azul tênue, que se filtrava por entre as algas e a transparência da água. Ficaram paralisados com o coração batendo forte...
E viram surgir das águas, a cabeça do elfo Elessar dentro do rio. E... Foi saindo lentamente... Os dois esperavam com o coração na mão... E surgiu os ombros... O tronco... E finalmente grande parte do corpo do elfo comigo nos braços. Eu estava inerte e nua. Elessar também. Dseyvar ia entrar no rio para ajudar levando um manto, mas Elessar fez com a cabeça que não... Ele não conseguia falar ainda por ter ficado tanto tempo usando apenas as guelras élficas que ficam atrás das orelhas.
Elessar veio saindo para a margem... Last disse:

- Vamos Magno! Não temos mais tempo ou será outro dia.

Magno abaixou-se e cavou quarenta centímetros com pás trazidas por Last e o resto cavou com as próprias mãos para não magoar o corpo. Quando as mãos dele tocaram nas folhas o Cigano estava quase desmaiando de ansiedade. Last pediu permissão para ajudar; Magno permitiu:
O Vampiro cruzou os braços e formou um ciclone sobre a cova limpando toda a terra que ainda estava sobre o corpo. A seguir os dois seguraram nas duas pontas da corda e bem devagar içaram o corpo... Que para felicidade do Cigano, estava sem rigidez... Sem mau cheiro... 
Colocaram-no sobre os cobertores com muito cuidado. E começaram a retirar as ataduras feitas de folhas, primeiro pelas pernas que foram estraçalhadas pelo mago... E... Estavam em perfeito estado... Nenhuma fratura, nenhuma ferida... Continuaram retirando as folhas com cuidado o corpo estava limpo, sem manchas rochas, sem escoriações. O coração do Cigano se fazia ouvir de tanta emoção... Os ombros deslocados estavam perfeitos! E suas lãs completamente prateadas e compridas até a altura do ombro... Last olhou para Magno e disse:

- Ele conseguiu Cigano! Parece vivo! Precisamos lavá-lo para depois vesti-lo.

Os dois levaram o corpo até o rio para lavar, colocaram na margem e foram empurrando levemente para dentro do rio o corpo boiando.
  Enquanto isso - Elessar havia enrolado meu corpo no manto que Dseyvar levou e acariciava meu rosto com carinho enquanto dizia uma oração. Dseyvar puxou de dentro dele toda coragem e perguntou:

- Ela está viva Elessar?

Nisso a lua surgiu... Linda... Prateada e totalmente redonda clareando toda mata; 
Quando me viu com o brilho da lua Dseyvar deu um grito:

- O QUE ACONTECEU COM ELA ELESSAR?

- Shiuuu! Não a desperte ainda! Ela precisa descansar! Não se assuste com a aparência dela.
Seu metabolismo assumiu a aparências das elfas da água por passar tanto tempo no abissal, uma transmutação ocorreu nas células do seu corpo. Durante o processo de transformação celular, Sigel sofreu mudanças físicas específicas em seu corpo. Ajustes estão sendo feitos em suas energias. Esses ajustes irão sintoniza-la em diferentes frequências durante a transformação celular. As partes do cérebro que foram adormecidas no passado agora estão sendo usadas. Isso pode exigir alguma reconexão de circuitos cerebrais, enquanto padrões cerebrais que não são mais funcionais serão redirecionados.

- Ela...  Não vai mais nos conhecer?

- E o que importa isso Dseyvar? Ela está viva.

- É verdade! Agradeço-te Elessar!

Nisso Dseyvar olhou para Elessar com a luz da lua e disse feliz:

- ELESSAR!!!! Voce também voltou! Não tem mais cicatrizes pelo corpo e está palidamente lindo!

- Não totalmente Dseyvar! Estou em mutação ainda....ee....

Elessar parou de falar e protegeu meu corpo escondendo-me, porque ouviram um grito e uma grande algazarra no rio e ele não sabia o que se passava ali.:

- O que é isso porque voces estão me afogando seus moleques, me solta!!  E por santa sara! Porque eu estou pelado assim com voces no rio? O que está acontecendo aqui?

Elessar olhou e sorriu com o canto da boca, ficando com os olhos pequeninos como dois risquinhos e iluminados como estrelas. Enquanto Magno tentava segurar o cigano que batia nele querendo sair da água a todo custo. Last sobrevoou que não era bobo. Deixou a encrenca com o Cigano que estava sem saber como se referir aquele humano que estava ali na sua frente furioso. 

- Dedylson, pai ou Neele?

Com muito sacrifício e várias pancadas... Magno conseguiu leva-lo até as vestes que Last havia levado para ele. O Cigano vestiu resmungando, mas quando acabou de vestir olhou-se orgulhoso, porque estava muito belo. E continuou querendo saber o que estava fazendo ali no rio e “pelado”. Magno não conseguiu inventar uma estória convincente, então o deixou resmungar.
  Elessar pediu a Last que me levasse até os "amigos" com Dseyvar que ele ainda não estava pronto para ir ao seu palácio. Last pediu que ele esperasse que logo voltaria e o levaria para a mansão dele e não aceitava “não como resposta”. Elessar aceitou e foi até Magno tentar ajudar. 

Chegando lá pediu ao Cigano que o deixasse agir. Ele consentiu... 
Elessar segurou as duas mãos do Cigano e arrumou suas energias vitais até que ele tivesse suas lembranças regularizadas. Com um piscar de olho para Magno que entendeu Elessar excluiu algumas lembranças muito terríveis. O humano se acalmou e disse:

- Magno meu filho?

- Sim! Sou eu! Lembra-se de mim?

- Lembro-me sim filho! Algumas lembranças me fugiram, mas lembro de como voce tentou encontrar-me. O que houve comigo?

- Voce foi curado por um Elfo Dedylson! - Falou Elessar.

- Como posso agradecer Elessar? Onde ele está??

- Ele partiu pai! Mas estará sempre conosco! Creia nisso! Devo sua vida a ele. Sempre estará em minhas orações eu sempre me lembrarei de seus olhos azuis! De sua bondade e de seu carinho por todos nós. O nome dele é Neele Aankhen... Vamos para casa pai?

- Eu ainda tenho uma casa?

- Tem sim pai! Nunca a perdeu!

- Sinto como se tivesse nascido outra vez! Não vejo mais o futuro. Mas estou enxergando muito e ouvindo também. Posso ouvir um rufar de asas que ainda nem está por perto.

- É Last! - Falou Magno a seu pai

- O Vladesk?

- Sim! Ele mesmo!

- Devo agradecê-lo por ter salvado voce. O tempo que voce passou com ele o salvou das perseguições dos bruxos meu filho.

Last Pousou trazendo Dseyvar mutou-se para forma humana e convidou aos quatro para pousarem em sua mansão. Eles se juntaram e foram tele portado até a mansão dos Vladescks.

Capitulo III

Na imensa sala de estar sentaram-se os cinco tomando uma taça do mais delicioso vinho tinto. 
E Elessar depois de agradecer a confiança que Last teve para com ele quando o encontrou resolveu contar o que ocorreu aos outros que ainda não sabiam:

O Elfo Elessar narrou:

- Eu estava naquele lugar procurando por Lorian que havia sido pego. Quando ouvi uma grande algazarra... Silenciei-me ao máximo para tentar entender o que estava acontecendo naquele lugar assombroso. Minha mente não é imune a magia... Então me confundi aos extremos, porque enquanto eu lutava com criaturas deformadas... Meu subconsciente tentava entrar em êxtase com todos aqueles sonidos de metais... Sons de tambores que parecia me entregar para os amaldiçoados daquele lugar. Meus olhos élficos podiam ver muito mais do que o que se apresentava naquela sala. 
Eu via num canto do comodo superior: um amontoado de espíritos tenebrosos que ardiam nas chamas que estavam acima de mim. Estátuas que se moviam, rosnavam e possuíam dentes afiados. 
Eu sabia que tudo aquilo era a manipulação dos magos negros sobre mim, mas não podia deixar me abater com suas magias negras, precisava salvar meus amigos. 
Então usei minha força de tele transporte e devolvi o obelisco para o Kaku com esperança de que ele mandasse auxílio e continuei seguindo pelo meio das criaturas deformadas que me atacavam, outras que apenas andavam em círculos, outras que se arrastavam tentando me alcançar. 
Quando olhei para trás após jogar o obelisco vinha um demônio em meu alcance com a cara caveirosa e com a cabeça se movendo em ritmo frenético. De repente ele caiu como se tivesse morrido. Mas não acabou assim... A alma dele saiu do corpo e começou a deslizar pelo recinto até entrar em uma estátua e desaparecer. Eu nunca havia visto um poder assim, o espirito daquele ser abandonou a própria matéria. 
Conjurei meu manto protetor e fui ao alcance da estátua. Mas fui direcionado para um lugar onde crias faziam brincadeiras demoníacas. Eu não conseguia entender o que se passava. 
De repente ouvi um cântico ser entoado e a sala onde eu estava escureceu me conduzindo a um estado psíquico intencional, para que eu visse fogo a minha volta... Depois gritos percorreram a sala me fazendo estremecer... Com o eco que formou... As criaturas se moviam e gritavam para me aterrorizar. Eu tentava manter a mente firme. Precisava encontrar Lorian antes que mais alguém se perdesse. Eu estava totalmente perdido na escuridão, não via o solo, não via nem mesmo minhas mãos. A escuridão sessou tão de repente como surgiu e eu me deparei em uma grande arena com muitas portas de madeira que abriam devagar rangendo... E assim foram se abrindo todas as portas... O odor daquele lugar era insuportável. Criaturas saíam aos montes daquelas portas que se abriram... Gritavam, urravam ecoando pela arena onde eu estava. Tinham aparências grotescas. Parecia que foram corroídas por algum material corrosivo. 
Outros tinham membros tão longos que as mãos chegavam ao solo. Fêmeas que colecionavam escalpos dessas criaturas andavam por toda parte apressadas como aranhas. Outras com membranas em seus braços que pareciam morcegos transfigurados. Criados a força. Eles se arrastavam pelo solo. Machos e fêmeas humanos nus com cabeças de animais costurados no corpo com pontos mal dados. Eram matérias vivas, mas putrefatas. 
Eu tentava me manter consciente quando surgiu diante de mim uma das criaturas aranha . Fui ao encontro dela decidido a mata-la com minha espada, mas quando cheguei bem perto hesitei... 
Ao me ver hesitar a criatura aranha teve algo como um relaxamento temporário, o que me deu a chance de me atirar entre os braços dela e encravar minha espada em sua garganta... 
Enquanto tentava não perder os sentidos. 
As criaturas estátuas com dentes pontiagudos e correntes vieram ao meu encontro, bradando as correntes... Eu me esquivava e tentava criar um vácuo com meu poder dos ventos para pegá-los na armadilha. Quando uma corrente agarrou na minha espada... E para meu espanto a minha espada foi transfundida com a corrente dela. Aproveitei para fazê-la girar sobre si mesmo, depois desfiz o giro e a degolei com a espada que ela transfundiu em sua corrente. 
Ao terminar olhei para o canto esquerdo e vi um demônio com olhos de lagarto que me olhava com olhos famintos. Busquei os olhos da minha mente para olhar para fora, olhar além daquelas paredes o que me dava um pouco de lucidez. 
Foi quando tive a ideia. Eu possuía dois corações. Todo meu povo possui como um presente de Elentari à raça mais pura entre os elfos. Então usei meu poder de parar a batida de um deles o coração principal que rege meu corpo ficando apenas o sobressalente batendo. Esse coração que continuava batendo era bem fraco para suportar todo meu poder, o que me deixou a mercê das criaturas. Eu pensei que logo voces me salvariam e eu o colocava novamente para funcionar. Foi quando fui capturado pela Circin. 
Além de toda aquela magia que me deixava desarvorado eu estava sem energia, estava fraco, sem reação. Então a feiticeira levou-me para aquela caverna onde o demônio “Sodômo” capturou meu espírito. Quando eu o vi se aproximar tentei usar os olhos da minha mente para não temer e para que não descobrissem meu coração. Enquanto ele cortava meu tórax e abria sem nenhuma compaixão a minha caixa torácica eu sentia o bafo frio e horrível que era exalado da sua respiração. Mas ainda assim eu tinha dois corações e precisava manter um em estado inerte. O  demônio “Sodômo” retirou o coração que batia. O mais fraco ( Não era essa minha intensão! Era recuperar meus batimentos assim que me colocassem junto ao Lorian) Mas isso não aconteceu. Eu não podia fixar meu olhar nele para não perder o controle. Se ele retirasse apenas o meu coração estaria tudo bem... Mas ele retirou meu espírito. Depois disso eu não sei o que aconteceu. .. Até que Circin me deu um demônio espectro como espirito e o meu coração voltou a bater. (Circin não percebeu isso, pensava que eu fosse apenas um espectro) Eu via e ouvia tudo como Elessar, mas não era dono de todas as minhas faculdades mentais nem de minhas vontades.,. 
Eu era comandado pelo demônio que estava dentro de mim e ficou mais forte com o meu poder. Algumas coisas que Circin me mandava fazer eu não aceitava e estava tomando conta de tudo. Machuquei-te de verdade Magno enquanto tu estavas como Lorian. Eu queria mesmo seu poder. Minha parte demônio queria e a minha parte elfo não podia ajudar, porque era mais fraca, porque não tinha espirito.
Até que voce me salvou Last! Quando destruiu “Ten-bra” e meu espirito voltou a mim quando Sigel matou o “Sodômo”. Eu li a mente dela. A única testemunha foi a Amazona que morreu. 
Sigel se transformou em uma grande besta dourada, segurou “Sodômo” e mandou a Amazona atirar em “Sodômo” uma flecha de poder celeste que queimaria a alma demoníaca do "Sodômo"mesmo sabendo que a Super-flecha de poder da Amazona iria mata-la...
Após a morte de “Sodômo” Todas as almas que o supria se libertaram.

Após tudo isso Last me recolheu e me ajudou a aceitar meu espirito e a disciplinar-me, até o momento que fomos acabar com a feiticeira. O resto, voces já conhecem...
Todo esse tempo no rio arrumou minhas energias. Tenho somente um coração agora, mas me manterá vivo e atuante! É o presente da Deusa Febeh! O meu coração mais forte. 

- E o seu coração preso naquela redoma Elessar? Ele continuava batendo mesmo fora de seu peito.

Perguntou Dseyvar.

- Eu não sei o que será feito dele Dseyvar! Quando acabamos com Circin ele deve ter parado de bater.

Quando Elessar acabou de contar tudo aos seus amigos atentos e penalizados com tudo que aconteceu ao grande Elfo o dia estava amanhecendo e todos foram para casa. Menos Elessar que precisava ainda de mais tempo para ter certeza que estava curado de uma vez por todas. Para mim ele estava mais que curado. Ou ele poderia ter-me deixado morrer. Last ofereceu sua casa para que ele se hospedasse até sentir-se apto a voltar a seu reino. Elessar preferiu ficar na mata. Precisava antes de tudo se reconciliar com a grande mãe Gaia.

Magno foi para seu acampamento todo orgulhoso com seu pai. Na “Floresta Negra” Fizeram uma grande festa para a volta de Dedylson. Ninguém perguntou nada! Os ciganos são muito discretos e respeitosos.  E para eles uma história deve ser contada espontaneamente. 
Fizeram uma grande festa para receber o Rei cigano Dedylson com toda honra e pompas...
O cigano Dedylson riu, brincou, cantou e tocou depois de tanto tempo. 
E pela primeira vez, Magno estava conhecendo o seu pai que Larissa sempre falava....



Participação especial:          

A Amazona Arayana


O Nefilin Raaniel

Com o lado Negro 

Circin  e Sodômo

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